Histórias Intimas da historiadora e autora Mary Del Priori da editora Planeta, apresenta de forma crua e verdadeira como a relação sexual e o erotismo mudou através dos tempos no Brasil.
Quando vi a sinopse do livro, fiquei muito interessada em saber mais sobre de onde talvez venham os tabus e os preconceitos em relação à sexualidade que permeiam a séculos, passando pela revolução sexual dos anos 60, que a partir daí até os dias de hoje foi criando novos comportamentos sociais, gerando influencias nas questões políticas, econômicas e culturais da humanidade.
Depois da leitura o que posso dizer a vocês é que definitivamente nós somos muito mais felizes hoje! Se você ler esse livro, irá ver o quanto na época tudo era mais difícil. O sexo então era uma tristeza mesmo! Esquece os nossos romances históricos que tanto adoramos com nossos mocinhos tão lindos, higienizados e que fazem das nossas heroínas, as mulheres mais realizadas do mundo! Histórias Intimas não é ficção e definitivamente exclui a fantasia que sempre recriamos quando lemos as nossas histórias favoritas.
E apesar de o livro tratar apenas a Sexualidade e Erotismo no Brasil, sabemos que a sociedade em geral seguia os mesmos modelos de comportamento, tinham os mesmos tabus e era reprimida por qualquer tipo de julgamento social.
Descrevendo um pouco sobre o livro...
Entre os séculos XVI e XVIII a sexualidade e a noção de intimidade no mundo dos homens beiravam ao ridículo. Como éramos atrasados, e sem muita surpresa, manipulados pela igreja católica. Como diz a própria autora no capitulo “O sexo proibido”: As regras da igreja católica pareciam esconder-se sob a cama dos casados, controlando tudo. Pois é, tudo que era considerado “contra a natureza” era proibido. Sabemos que até nos dias de hoje muitas religiões admitem o sexo exclusivamente a procriação, mas antigamente os tabus eram exacerbados... Para exemplificar, podem acreditar que naquela época era proibido a mulher colocar-se por cima do homem, isso contrariava a lei da natureza segundo a igreja e deixava claro que só os homens comandavam. Bom, estando os homens então sempre no comando, imaginem que negar a ele sua obrigação matrimonial também era visto como pecado, ou seja, não adiantava a mulher dar como desculpa uma dor de cabeça!
Quando o Brasil era a Terra de Santa Cruz, acreditem as mulheres tinham de se enfear, porque seu valor perante a sociedade era medido por seu recato e os homens precisavam dormir de lado, nunca de costas, porque a concentração de calor na região lombar excitava os órgãos sexuais.
Estarrecedor a mentalidade desta época, não? E isso é só uma pequena amostra do quanto a nossa sociedade, principalmente as mulheres, sofriam e o quanto a concepção do sexo implicava a proibição de tudo o que desse prazer.
O livro pode interessar historiadores, sexólogos, sociólogos e os curiosos de plantão. Nesses dias vi na TV um médico ginecologista dando o seu pitaco sobre o livro, relatando o quanto a antiguidade ainda reflete no comportamento das mulheres nos dias de hoje, principalmente em se tratando do prazer sexual, da masturbação, enfim o quanto a mulher ainda nos dias de hoje não se conhece sexualmente, e o quanto ainda são condicionadas a esconder e a reprimir seus impulsos sexuais.
Apesar disso, sabemos que já é possível encontrar mulheres que vivenciam seus desejos e conhecem seus corpos, mesmo ainda com a resistência de muitos homens... As mulheres estão ganhando cada dia mais espaço, apesar de ainda sofrermos com tabus do tipo “a mulher precisa se dar o respeito” o que na verdade deveria ser “Você deve respeitá-las”, afinal todas as pessoas, independente de sexo e cor, devem ser respeitadas.
Portanto, meus amigos e amigas do NR se amem, fortaleça sempre a sua auto-estima para assim ter o poder em escolher um parceiro que esteja à altura de seus desejos e mentalidade. Pois, o livro é uma prova de o quanto ainda estamos engatinhando nesse processo, provando que somos ainda vitimas de tabus e julgamentos estereotipados que somente atrasam a nossa liberdade social...
Carnaval (Luiza Trigo)
46 minutos atrás


















7 comentários:
Menina, sabe que eu fiquei morrendo de vontade de ler esse livro assim que eu vi que tinha saído?
Olha, se hoje não é fácil, imagino naquela época, em que tudo era pautado pelas opiniões da Igreja. Deus, como o livre-pensar é difícil! Ainda vai demorar muito pra chegarmos a um ponto mais aceitável.
Gostei da resenha, de verdade! E ainda quero ler! Beijos!
Oi Lee! Puxa uma honra ter seu comentario aqui! hehehe
Valeu querida e realmente o livro e muito interessante! Tirando um pouco o sentimento de revolta que ele nos remete, nao tem como nao sentir rs Mas, faz parte da nossa historia...
beijos
Vi esse livro na Fnac um dia desses e dei uma espiada básica em algumas páginas. Fiquei bastante interessada, já que gosto de assuntos que explorem o comportamento humano através do tempo, as relações sociais, e claro que o sexo permeia tudo isso e tem um papel muito importante na vida de qualquer ser humano.
Gostei muito da escolha desse livro para o post!
Bj,
escrevendoloucamente.blogspot.com
Tenho vontade de ler esse livro desde que vi a entrevista da autora no jô.
Adorei o post!
Bjos!
Thaís
@sweet_lemmon
http://umaconversasobrelivros.blogspot.com
Fiquei curioso agora rsrs
Vou procurar e dar uma lida.
Acessem:
confissoesdeumescritor.blogspot.com
Sou formada em História e gosto muito dos livros da Mary Del Priori, aliás, os livros dela eram quase obrigatórios quando estudei, e isso já tem um tempo. É muito legal você ter citado um livro assim, sendo que ele é mais voltado para um público mais acadêmico.
Ótimo post! Abraços,
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