05/04/2009

Fetiche

Postado por Lili |

Em uma frenética caçada a um sádico psicopata, uma jovem modelo formada em Psicologia Forense tenta capturar o assassino de sua melhor amiga. Mas sua ousadia vai longe demais e, sem perceber, ela pode estar correndo diretamente para as garras do serial killer. A única pessoa em que ela confia, e por quem se apaixona, o sedutor detetive Andy Flynn, parece esconder segredos perigosos. Como saber em quem acreditar quando as aparências determinam quem vive e quem pode estar condenado a uma cruel sentença de morte? Descubra Fetiche: uma história de obsessão, beleza e crimes que irá seduzi-lo.
Mak Vanderwall, modelo, bela e inteligente jovem mulher, chega a Sydney para visitar a sua melhor amiga, só para encontrá-la brutalmente assassinada. Filha de um policial, Mak logo se encontra envolvida no caso e com o belo policial Andy Flynn. Mas, ela não imagina que o assassíno está atrás dela, e que em breve estará em suas mãos...

Fetiche é uma história intrigante, com uma certa gama de surpresas e suspense. O limite entre beleza e crime não passa de um tênue detalhe. O livro é dinâmico, logo o leitor percebe a destreza da autora em prender a atenção do mesmo. Os diálogos são inteligentes e com certa dose de humor, quebrando um pouco a tensão, principalmente quando o vilão toma o centro da cena...

Esse livro é uma estréia da autora Tara Moss de apenas 25 anos, que além de escritora é
modelo, apresentadora de um programa de investigações no National Geographic Channel, embaixadora do Unicef e recentemente se formou no curso da Academia Australiana de Investigação. Com um currículo desses, não é de se admirar que ela consegue realmente entreter o leitor com a sua escrita eletrizante e com convincentes elementos de situações processuais...

Fetiche tem continuação em mais dois livros até agora: Split e Covet.
No final do livro eu levei um susto pelo término abrupto e um tanto imprevisível quanto ao romance de Mak e Andy. Fui atrás e descobri que o romance deles tem continuação e que até o vilão irá atormentar mais uma vez a Mak no livro Covet. Para quem gosta do estilo recomendo vivamente.

01/04/2009

A Casa das Lembranças Perdidas

Postado por Lili |

Em 1924, o belo, rebelde e misterioso poeta Robbie Hunter se mata com um tiro durante uma das festas que decretam os últimos suspiros da poderosa aristocracia inglesa. As irmãs Hannah e Emmeline Hartford vêem tudo, mas nada podem fazer para evitar o suicídio, que coloca um ponto final num doloroso triângulo amoroso formado por elas e Hunter. A tragédia vai separá-las para sempre e o tempo encobrirá tudo com o véu do esquecimento. Mas um filme sobre os Hartford vem resgatar todos os detalhes de um passado cheio de segredos que permanecem guardados na memória de Grace Bradley, aos 98 anos, única testemunha ainda viva do drama vivido por uma família e das profundas transformações vividas pela sociedade da época. Este é o mote de A casa das lembranças perdidas, surpreendente romance de estréia da australiana Kate Morton, título mais bem-sucedido na Inglaterra desde O código da Vinci, com direitos de tradução vendidos para 29 países. Com mais de 600 mil exemplares vendidos só na Inglaterra, best-seller imediato nos Estados Unidos, Alemanha, França, Itália e Austrália, A casa das lembranças perdidas fala de segredos e de atos terríveis que pessoas comuns são capazes de cometer para libertar-se ou, ao contrário, preservar o status quo. Status a ser mantido de qualquer maneira, principalmente na Inglaterra do início do século XX, um período de transformações sociais, políticas e econômicas radicais, que põem em xeque a conservadora aristocracia inglesa, incapaz de se adaptar aos novos tempos: à ascensão de uma nova classe de gente rica cujo poder é baseado no dinheiro e não na família de nascimento, ao novo papel da mulher que quer – e se vê obrigada a – trabalhar, à destruição e aos traumas causados pela Primeira Guerra Mundial. Em meio a tudo isso, Grace Bradley, a narradora desta história, vai e volta no tempo à medida que sua memória e saúde – já falhas – são testadas pela equipe de filmagem que está produzindo um filme sobre os Hartford e a convida para voltar à imponente mansão da família em Riverton, no condado de Essex. O ano é 1999 e um retorno ao local onde tudo começou desperta nela sensações que já imaginava esquecidas. No passado, Grace fez parte do corpo de empregados da mansão e, como os demais funcionários, tinha como lar o “andar de baixo”, onde os donos jamais pisavam. A separação entre ela e os patrões, no entanto, vai se rompendo quando passa a ganhar tarefas que envolvem um contato cada vez maior com os habitantes do “andar de cima”. Numa de suas obrigações, conhece três jovens moradores de Riverton e sente um elo especial com um deles: Hannah, irmã de Emmeline, a caçula, e de David, o primogênito. A autora alterna a narrativa de A casa das lembranças perdidas em dois tempos e a coloca na visão de Grace e Hannah. Grace, a menina pobre e recatada, com um desejo profundo e aparentemente sem explicação de tornar-se eternamente ligada a Hannah, à custa de qualquer outro relacionamento. Uma lealdade que vai permiti-la testemunhar e a encobrir as desventuras da patroa. Já Hannah, jovem aventureira com idéias libertárias e emancipadas, obrigada a tornar-se uma dona-de-casa casada e infeliz, mas cujos desejos reprimidos vão levá-la à tragédia que se conclui na fatídica noite de verão de 1924. Kate Morton dá a cada um de seus personagens uma personalidade marcante. Além da dupla de protagonistas, há Emmeline, a animada menina que adota o papel de socialite festeira; David, que tem sua vida tomada nos campos de combate da França durante a Primeira Guerra Mundial; Alfred, o amado de Grace, que volta da guerra sem a energia e a jovialidade que impressionaram a jovem arrumadeira; e Robbie, o amigo de David, outro sobrevivente, que, no futuro, vai protagonizar uma triste e perturbadora história de amor com Hannah. Ao redor deles, um mundo de hipocrisia e segredos que vão sendo revelados a cada página deste romance.

Belo e triste. A sinopse acima revela minuciosamente os principais focos do livro. A história é densa do início ao fim. No começo a narradora Gracie já nos aponta um segredo e no decorrer de suas lembranças as verdades e as mentiras serão reveladas lentamente e, por vezes, muito sutil.

O livro é para ser apreciado com calma, pois a diversidade de protagonistas e suas histórias, no decorrer dos anos, são meticulosamente retratados pela narradora. O contexto histórico em que foi fixado, é fundamental, pois retrata personagens que irão sobreviver ou enfraquecer devido os acontecimentos mundiais... Como os efeitos devastadores de uma brutal, extensa guerra, que mudou várias vidas, refletindo permanentemente na cultura, economia e vida social das pessoas.

Apesar do livro apontar tantos temas, acho que o foco principal são as Escolhas dos personagens. Fica um pouco complicado explicar para quem ainda não leu o livro. Mas para quem já teve o prazer da leitura, irá perceber as escolhas de seus personagens e fica nas entrelinhas a dúvida: E se tivessem feito a outra escolha? Para exemplificar. O que será que poderia ter acontecido se o Sr. Frederick tivesse ficado com o seu verdadeiro amor? E Hannah se tivesse ouvido seu pai e não tivesse se casado com Teddy? Teria ficado com Robbie? Sem falar de Gracie que escolheu anular a sua vida pessoal em favor de Hannah. E que se soubesse a escrita em estenografia realmente, não teria presenciado aquela tragédia?! Tantos pormenores intensos, que nos faz refletir no que poderia ter sido...

Em suma, A Casa das Lembranças Perdidas é um romance gótico, com muitos segredos e alguns mistérios que no desenrolar da história vai se revelando. Admiro a autora Kate Morton por conseguir com tanta destreza, alternar os capítulos para o passado e o presente. E que soube desenvolver com muito estilo, amores, perdas, escolhas, segredos ocultos e fantasmas metafóricos... Esse é um livro que merece ser relido por muitas e muitas vezes...

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