Anne Mather é uma da maiores escritoras de ficção romântica da atualidade, já tendo vendido mais de 85 milhões de livros no mundo todo. Seu primeiro romance, Caroline, foi publicado em 1966 e teve sucesso imediato. Anne Mather escreveu mais de 90 romances, sendo um dos últimos, Paixão Selvagem, um best seller de grande êxito mundial. Seus livros foram traduzidos para diversos idiomas e editados em muitos países.
Paixão Selvagem
Um destino cruel forçou Lani St. John a uma escolha impossível entre a realização de seus desejos e a renúncia ao único homem que poderia amar. Jake Pendragon, o atraente e talentoso pianista que havia despertado a paixão em seu corpo de adolescente, estava de volta à sua vida, desta vez para destruir-lhe todas as reservas e subjugá-la definitivamente. Mas Lani não podia, não queria se entregar por inteiro àquele homem sedutor e violento, provocante e imoral. Porque sua linda rival, a mulher com quem ele estava envolvido, não era outra senão a sua própria mãe!
Comentário:
Linda história!
Uma das melhores da autora com toda a certeza. É uma dramática história de amor, vingança e paixão!
Agora um trecho do livro:
- O Acidente
O carro estava frio, mas o motor pegou sem problemas. O trânsito se tornara bem menos agitado, pois àquela hora eram poucos os pedestres que corriam o risco de ser atropelados e a escuridão densa obrigava os motoristas a dirigirem com mais cuidado.
O bar não ficava longe do Gloucester Court Hotel. Em questão de minutos, Jake estacionava novamente o carro e dava a volta para ajudar Lani a sair.
— Está arrependida? — Jake perguntou num sussurro, sentindo sua mão trêmula.
— Não, vamos logo. — Lani cruzou os braços sobre o peito, arrepiada de frio, enquanto esperava Jake fechar o carro. Entraram abraçados no hotel.
— Boa noite, sr. Pendragon! — disse o rapaz da recepção.
— Que noite horrível, hein? — Jake comentou, aparentemente nem um pouco embaraçado com o olhar curioso do funcionário.
Lani, por sua vez, sentia calafrios na boca do estômago, imaginando o que passava pela cabeça do rapaz. Talvez achasse que se tratava de uma acompanhante de luxo, vendo-a entrar no elevador com Jake.
— Pare de se preocupar tanto. — Jake a abraçou acariciando seus lábios úmidos com o polegar. — As pessoas entram e saem daqui o tempo todo. Sua reputação continuará intacta, pode acreditar.
Lani se apoiou nele, adorando o contato com aquele corpo viril.
— Você me ama?
— O que você acha? — Jake respondeu sem hesitar,
com um beijo.
Só mais tarde Lani se conscientizaria de que sua pergunta não tivera resposta. A suíte de Jake ficava no oitavo andar e ela saiu do elevador com a fisionomia mais reveladora do que imaginava.
— Não devia ficar com essa cara — comentou Jake, enquanto tirava as chaves do bolso. — Pelo menos não antes de fazermos amor.
— Não foi o que fizemos a tarde toda? Jake tomou os lábios de Lani outra vez.
— Não fizemos amor. Se tivéssemos feito, não teria tanta dificuldade em abrir esta maldita porta!
Quando finalmente conseguiu abrir a porta, encontraram o quarto parcialmente iluminado. O carpete em tom creme, com cortinas combinando, os sofás estofados em tecido aveludado lilás e um piano imponente junto à janela formavam o ambiente gracioso da sala. Entretanto, o deslumbramento de Lani foi substituído pelo choque ao ver um par de sandálias de salto alto jogadas com displicência no meio da sala. — Que diabo. . .
A perplexidade de Jake refletia a de Lani. Ninguém precisava lhes dizer a quem pertenciam aquelas sandálias, nem quem fazia barulho no compartimento anexo, que parecia ser o banheiro. Lani sabia que sua mãe estava lá. Só podia ser. 0 sangue pareceu congelar-lhe nas veias diante de tanta humilhação.
Mesmo assim, não estava preparada para o que aconteceu a seguir. Clare apareceu na porta vestindo nada mais que uma camisola de seda, com uma fenda que revelava suas pernas.
— Querido. . . Querido, que consideração a sua trazer Lani para me ver!
Antes que Lani pudesse responder ou até mesmo compreender aquela situação, Jake interveio, num tom
ríspido:
— O que está fazendo aqui, Clare? Que brincadeira de mau gosto está tramando agora? Não tem nada a fazer aqui, sabe disso. Não é bem-vinda aqui. Agora vai se vestir ou prefere ser expulsa daqui assim mesmo?
— Que cena maravilhosa seria, não? — gritou Clare com voz estridente. Lani, que já presenciara várias cenas parecidas com o pai, não suportaria outra.
— Se. . . se me derem licença... — começou a dizer, quando Jake a segurou pelo braço e mais uma vez teve de ser testemunha de uma coisa que considerava
ultrajante.
— Você não vai a lugar nenhum, Lani. Pelo amor de Deus, não tire conclusões precipitadas. Não é nada do que você está pensando.
— Não é? Não é? — Clare estava histérica. — Como acha que ela se sente ao ver a mãe sendo tratada desse jeito? Pensa que ela não tem vergonha? Não tem sentimentos? Ouça bem o que ele está dizendo, Lani, ouça! Q que acha de seu futuro padrasto agora?
— Não sou futuro padrasto de ninguém — Jake protestou com veemência. — Pelo amor de Deus, Clare, recomponha-se. Não sei o que pensa estar fazendo ou por que está aqui, mas...
— Pensei que era óbvio! — Clare tremia visivelmente.
— Vim para ver você, Jake. Para ficarmos juntos! Será possível que já esqueceu o que significamos um para o
outro?
— Clare...
— Mamãe, por favor. . .
Os dois falaram ao mesmo tempo, a raiva de Jake mis-turando-se à súplica de Lani. Mas foi para a filha que Clare se virou, com suspeita no olhar.
— Onde estiveram? O que andaram fazendo? Ora, não se dê ao trabalho de mentir para mim. Não é difícil adivinhar o que está acontecendo. Você é uma pequena víbora, Lani! Por acaso fez isso de propósito? Sei que sempre teve ciúmes de mim.
— Não é verdade! — Lani foi categórica e Jake soltou o braço dela para aproximar-se da outra.
— Pare com isso, Clare! Sabe tão bem quanto eu que não existe nada entre nós!
— Não? O que você quer dizer é que não existe exclusividade entre nós, não é? Se um dos dois sentir vontade de... variar a companhia, é só sair por aí e procurar outra pessoa, não é assim?
— Clare, por favor, vá embora. Vista-se enquanto mando chamar um táxi para você.
— Puxa, quanta gentileza! E vai me levar para casa também?
— Não. — A resposta de Jake não dava margem a dúvidas, mas, em um movimento rápido, Clare se pendurou ao pescoço dele com sensualidade calculada.
— Não?
Lani se virou para não ver aquela provocação patente.
— Vá se vestir, Clare — Jake falou com os dentes cerrados. Lani, de costas, não viu o que aconteceu, mas Clare provavelmente enfiou a mão no bolso dele, tirando as chaves do Porsche.
— Então, vou dirigindo até minha casa — anunciou Clare com ar de triunfo. — Quem sabe se não encontro alguém mais do meu gosto? — E, antes que ele pudesse impedir, ela saiu sem vacilar.
— Clare!
Lani tentou segurar a mãe, mas ela foi mais rápida e escapou, deixando a filha e Jake olhando perplexos um para o outro.
— Você tem de ir atrás dela — Lani pediu, desesperada. — Ela não pode sair daquele jeito na rua. Vai congelar de frio.
— E acha que ela não sabe disso? — Jake respondeu com agressividade, mas saiu pelo corredor balançando resignadamente a cabeça.
Lani foi atrás, embora não quisesse. Tinha a leve suspeita de que Clare não iria até o fim com aquela loucura. Era apenas mais um de seus habituais melodramas, um dos papéis que mais gostava de representar na vida real, numa tática para chamar a atenção de Jake e destruir tudo o que pudesse existir entre ele e Lani. Mas o que ela estaria fazendo no hotel? Segundo Jake, Clare não tinha nada que fazer ali. Um deles estava mentindo. . . Quem?
Quando Lani chegou ao elevador, as portas se fechavam e teve de correr para entrar. Clare já tinha descido. As feições de Jake não eram nada animadoras enquanto desciam e mal dava para acreditar que instantes antes tinham subido tão felizes por aquele mesmo elevador.
— Agora é uma questão de em quem acreditar, não é? — Jake não tentou tocar nela e Lani estremeceu quando as portas se abriram.
Não havia sinal de Clare na portaria do hotel e Lani imaginou como a mãe poderia ter passado por ali sem ser reconhecida. Mas talvez tivesse sido. A camisola que vestia poderia ser facilmente confundida com um vestido de gala extravagante. Afinal, estrelas de ópera eram famosas pela excentricidade. E quem se atreveria a parar Clare Austin a todo vapor?
Lani apressou o passo para alcançar Jake. A névoa era tão densa que mal dava para distinguir os carros estacionados do outro lado da rua. Mas a camisola de Clare era bem visível e Lani desanimou ao vê-la entrar no Porsche. — Ela é louca!
Jake correu para o meio da rua. Clare já dava a partida. Lani colocou as mãos no rosto, horrorizada, ao ver a mãe engatar a marcha, mas seu grito de alerta veio tarde demais. Jake parecia não acreditar que ela tivesse coragem de atropelá-lo, mas estava enganado. Assim que percebeu a intenção da mãe, Lani correu para o lado de Jake, num impulso desesperado de protegê-lo. Então só se ouviu o rumor surdo do impacto do carro contra seus corpos.

















