03/07/15

O Nome do Vento

Postado por May Cyrne |

Ninguém sabe ao certo quem é o herói ou o vilão desse fascinante universo criado por Patrick Rothfuss. Na realidade, essas duas figuras se concentram em Kote, um homem enigmático que se esconde sob a identidade de proprietário da hospedaria Marco do Percurso.

Da infância numa trupe de artistas itinerantes, passando pelos anos vividos numa cidade hostil e pelo esforço para ingressar na escola de magia, O nome do vento acompanha a trajetória de Kote e as duas forças que movem sua vida: o desejo de aprender o mistério por trás da arte de nomear as coisas e a necessidade de reunir informações sobre o Chandriano - os lendários demônios que assassinaram sua família no passado.

Quando esses seres do mal reaparecem na cidade, um cronista suspeita de que o misterioso Kote seja o personagem principal de diversas histórias que rondam a região e decide aproximar-se dele para descobrir a verdade. 

Pouco a pouco, a história de Kote vai sendo revelada, assim como sua multifacetada personalidade - notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral, assassino infame. 

Nesta provocante narrativa, o leitor é transportado para um mundo fantástico, repleto de mitos e seres fabulosos, heróis e vilões, ladrões e trovadores, amor e ódio, paixão e vingança. 

Mais do que a trama bem construída e os personagens cativantes, o que torna O nome do vento uma obra tão especial - que levou Patrick Rothfuss ao topo da lista de mais vendidos do The New York Times - é sua capacidade de encantar leitores de todas as idades.


Um livro apaixonante, que conta a história de Kvothe, um jovem prodígio que acabou se tornando uma lenda em seu próprio tempo. A narrativa leva o conceito de uma história dentro de outra, em que temos uma estória de um homem que conta sua história de vida à um cronista, de forma poética, em um mundo onde a magia e mistério não foram completamente aniquilados da realidade, mas participam de forma sutil, quase despercebida, na vida das pessoas. 

Programado para ser uma trilogia, O Nome do Vento é o primeiro livro das Crônicas do Matador do Rei, e conta o início da vida de kvothe e seu ingresso prematuro na Universidade, um lugar onde os mais inteligentes e os mais ricos vão para estudar e aprender as artes da Alquimia, Medicina e a oculta arte de Nomear. Além de Kvothe, acabamos criando carinho por outros personagens, como a misteriosa e adorável Auri, que recentemente ganhou um livro só dela, A Música do Silêncio

Sou apaixonada pela capa, e uma das coisas que me faz escolher um livro é a edição, que nesse caso é bem cuidadosa e durável, com páginas costuradas e letras não muito pequenas, bom para os que têm dificuldades de visão. 

Indico a todos que curtem um universo mais mágico, que leram e gostaram de clássicos de fantasia adulta, como Senhor dos Anéis. Tem seus momentos luminosos, mas em sua maior parte é uma história mais sombria e misteriosa mesmo. Recomendo por ser um dos meus livros favoritos de ficção. 

Um pedacinho para dar o gosto:


  • Um silêncio em três partes
Noite outra vez. A Pousada Marco do Percurso estava em silêncio, e era um silêncio em três partes.

A parte mais óbvia era uma quietude oca e repleta de ecos, feita das coisas que faltavam. Se houvesse vento, ele sussurraria por entre as árvores, faria a pousada ranger em suas juntas e sopraria o silêncio estrada afora, como folhas de outono arrastadas. Se houvesse uma multidão, ou pelo menos um punhado de homens na pousada, eles encheriam o silêncio de conversa e riso, do burburinho e do clamor esperados de uma casa em que se bebe nas horas sombrias da noite. Se houvesse música... Mas não, é claro que não havia música. Na verdade, não havia nenhuma dessas coisas e por isso o silêncio persistia. 

Dentro da pousada, uma dupla de homens se encolhia num canto do bar. Os dois bebiam com serena determinação, evitando discussões sérias ou notícias inquietantes. Com isso, acrescentavam um silêncio pequeno e soturno ao maior e mais oco. Ele formava uma espécie de amálgama, um contraponto. 

O terceiro silêncio não era fácil de notar. Se você passasse uma hora escutando, talvez começasse a senti-lo no assoalho de madeira sob os pés e nos barris toscos e lascados atrás do bar. Ele estava no peso da lareira de pedras negras, que conservava o calor de um fogo há muito extinto. Estava no lento vaivém de uma toalha de linho branco esfregada nos veios da madeira do bar. E estava nas mãos do homem ali postado, que polia um pedaço de mogno já reluzente à luz do lampião. 

O homem tinha cabelos ruivos de verdade, vermelhos como a chama. Seus olhos eram escuros e distantes, e ele se movia com a segurança sutil de quem conhece muitas coisas. 

Dele era a Pousada Marco do Percurso, como dele era também o terceiro silêncio. Era apropriado que assim fosse, pois esse era o maior silêncio dos três, englobando os outros dentro de si. Era profundo e amplo como o fim do outono. Pesado como um pedregulho alisado pelo rio. Era o som paciente – som de flor colhida – do homem que espera a morte.

25/06/15

Eu, Robô

Postado por Jader Dalmas |

Sensíveis, divertidos e instigantes, os contos de Eu, robô são um marco na história da ficção científica, seja pela introdução das célebres Leis da Robótica, pelos personagens inesquecíveis ou por seu olhar completamente novo a respeito das máquinas. Vivam eles na Terra ou no espaço sideral; sejam domésticos ou especializados, submissos ou rebeldes, meramente mecânicos ou humanizados, os robôs de Asimov conquistaram a cabeça e a alma de gerações de escritores, cineastas e cientistas, sendo até hoje fonte de inspiração de tudo o que lemos e assistimos sobre essas criaturas mecânicas.

Verdadeiro marco na história da ficção científica, Eu, robô reúne os primeiros textos de Isaac Asimov sobre robôs, publicados entre 1940 e 1950. São nove contos que relatam a evolução dos autômatos através do tempo, e que contêm em suas páginas, pela primeira vez, as célebres Três Leis da Robótica: os princípios que regem o comportamento dos robôs e que mudaram definitivamente a percepção que se tem sobre eles na literatura e na própria ciência.

Eu Robô é um livro que engloba vários contos sobre robôs relacionados de modo cronológico, mas que se lidos individualmente não tiram o sentido da história. Dentro deste livro temos uma noção da incorporação dos robôs na sociedade, assim como a evolução de suas ações e interpretação do mundo até o ponto que os robôs acabam tomando conta do ambiente humano.

Para quem gosta de livros sobre ficção científica, este é ideal, uma vez que conta a evolução de robôs que tem uma mecânica capaz de executar pensamentos e coeficientes para certo ou errado, o que os possibilita ter senso de humor e personalidade.

O que mais me chamou atenção no livro foi que ao final da leitura, tem uma parte do livro dedicada a história do autor e como ele escreveu outros contos e livros que contribuíram para o desenvolvimento deste.

Em suma, este é um livro de ficção científica que interessará muito os amantes de tecnologias, robôs e computadores, assim como os curiosos sobre o assunto ou o pensamento que se tinha dos robôs antigamente, uma vez que o livro reúne contos do meio do século passado.

Um outro livro do autor Isaac Isimov já foi postado aqui no blog, para conferir a resenha clique aqui.

18/05/15

O Professor do Desejo

Postado por Jader Dalmas |


Publicado em 1977, "O professor do desejo" é uma espécie irônica e devastadora de romance de formação. A juventude, os anos na universidade e a descoberta - atribulada e frequentemente tragicômica - da sexualidade do acadêmico judeu David Kepesh são observados por Philip Roth com maestria narrativa e profundo senso cômico.

Narrado com a marca característica dos melhores livros de Philip Roth, tendo a presença obsedante do humor, da sexualidade e da própria literatura como elementos principais do livro, O Professor do desejo é uma sátira sem freios do eterno embate travado entre nossos instintos mais básicos diante dos princípios da civilização e da cultura. 

O professor do desejo é um livro sobre as experiências de um nerd estudante que resolveu se explorar sexualmente com inusitadas aventuras, as quais nem sempre tiveram um final muito feliz para ele e que o levou a reavaliar suas necessidades e melhor escolher seu futuro.

Para quem gosta de livros sobre a história de vida e experiência de pessoas com um determinado foco, que neste caso é o desejo, este é o livro, pois não conta somente uma aventura, mas uma sequência de experiências que montam a história amorosa de vida de um determinado professor.

O que mais me chamou atenção no livro foi o modo que determinadas experiências afetavam o personagem principal, a ponto de ele se consultar com um psicologo para melhor entender sua situação e se desapegar ao passado, uma vez que viver de passado gera depressão.

Em suma, este é um livro focado na evolução e desenvolvimento pessoal de um personagem quanto ao conhecimento de relacionamentos, assim como uma pessoa estuda para se tornar professor, este professor experienciou vivências para assim poder transmitir seu conhecimento a partir deste livro.

12/05/15

Floresta Encantada

Postado por Liliane Cristine |


Floresta Encantada - Neste livro, Johanna Basford convida o leitor a embarcar numa viagem ao coração de uma floresta encantada.

Enquanto colore os desenhos de flores, casas na árvore, animais e objetos mágicos, seu desafio é encontrar os nove símbolos especiais ocultos ao longo destas páginas. Eles destravam o portão do castelo, revelando seus mistérios. 

O que será que ele guarda?

Traga à tona o artista que existe em você e divirta-se em uma jornada através desse universo deslumbrante.

A nova onda agora é pintar! Não é mais novidade e eu estou completamente apaixonada em voltar a pintar. Eu já tinha costume de pintar (depois da infância) pintura de tela em óleo e usar agora o lápis de cor como nova ferramenta de pintura, foi voltar no tempo um tanto esquecido...

A premissa como já foi muito divulgado é  ser um livro antiestresse e explorar uma forma de arte-terapia. Mas, o que mais achei interessante e detalhando uma experiência pessoal, comigo além de relaxar e se divertir pintando, o livro integrou ainda mais minha família. Devido essas novas tecnologias, sabemos o quanto as famílias estão mais separadas, ainda que na mesma casa, mas cada um em seu ambiente, interagindo com o computador, tablets e celulares. Senti que o livro aproximou muito a minha família, como nos tempos antigos em que reunia a família para ver um capítulo inédito de uma novela da globo, por exemplo. Acho que para mim, o mais importante foi ver minha mãe e meu pai pintarem juntos e eu, claro, podendo estar interagindo com eles essa redescoberta.

Em relação ao conteúdo do livro, o mesmo possui diversas ilustrações ocupando páginas inteiras, cuidadosamente planejadas pela autora Johanna Basford, trazendo séries de cenas requintadas, desenhos complexos, extremamente elaborados e detalhados.

Agora vou deixar alguns desenhos pintados por mim, claro que tenho muito que aprender, mas o objetivo não é ser uma exímia pintora e sim compartilhar para inspirar novas pessoas a essa maravilha que é a arte em colorir.

E aí, vamos pintar?





Subscribe