Já estou sentindo muitas saudades... Sevenwaters está com certeza na minha lista dos melhores livros de minha vida!

A Filha da Profecia é o terceiro livro da série e já estou muito ansiosa para ler os próximos livros da série, tomara que a Editora Butterfly não demore para publicar o próximo livro que em inglês se chama Heir to Sevenwaters.

Voltando ao livro a autora com toda a sua maestria mais uma vez nos surpreende. A Filha da Profecia mais do que nunca nos delicia com a cultura celta e abusa e usa de seus elementos mágicos, que tem como papel primordial finalizar em definitivamente o ciclo da malvada feiticeira Lady Oonagh.

O livro como todos os outros anteriores é narrado em primeira pessoa, mas é a protagonista Fainne que conta desta vez a sua história. Como filha de Niamh e neta da terrível feiticeira Lady Oonagh, pois é, a malvada do primeiro livro da trilogia "A Filha da Floresta", estará mais uma vez mais do que tudo presente; será ludibriada e convencida através de sua avó em se vingar definitivamente dos Fair Fork e de toda a família de Sevenwaters. Como instrumento de vingança Lady Oonagh ensina a sua neta as mais terríveis feitiçarias, transformando a vida de Fainne em um verdadeiro inferno, onde a mesma acaba se vendo perdida entre o que é certo e o errado. Fainne terá que decidir o seu caminho, que independente da direção que tomar, terá que passar por muitas provas e espiações, arriscando muitas vezes a vida das pessoas que ama e a sua própria vida.

Como Marion Zimmer Bradley em as "Brumas de Avalon", Juliet Marillier destaca as mulheres como o ponto central da trilogia. Numa ótica muito mais feminina, a autora enfatiza o poder e a magia das mulheres, que como foco principal, carregam na história toda uma enorme carga de sofrimento e perdas.

Sevenwaters já está deixando saudades... Estou muito empolgada para conhecer outras obras desta brilhante autora. Vale conferir!

Para saber mais a respeito do livro e a série, entre no link da Editora, aqui!

Deixo com vocês um trecho do livro:

  • Nunca mais me diga adeus...

O dia estava límpido e o mar agitado. Brenna ia conversando animadamente enquanto o barco subia e descia e eu, de dentes cerrados, mantinha os olhos na costa do outro lado, até que, por fim, a viagem terminou até chegar a hora de regressar. A escolha de Gareth e Corentin, por parte de Johnny, para nos guardarem, fora, talvez, um pouco cruel. Ambos iam armados até aos dentes. Brenna desatou o fardo que esperava por ela no armazém e começou uma inspecção apertada do conteúdo, murmurando para si própria. Eu observava Johnny, Godric e os outros, enquanto colocavam sobre os ombros vários pacotes e se dirigiam para o barco. A aldeia estava muito ocupada devido às carroças de mantimentos que tinham chegado recentemente; havia homens armados por toda a parte. Snake não corria riscos e mantinha uma força considerável naquele lado da água. Nenhum barco atravessava o canal e ninguém entrava sem autorização naquele lugar fortificado. Brenna não se apressava. Sentei-me num banco no exterior, gozando o dia límpido e achando o ar um pouco quente de mais. Os meus pensamentos regressaram à ilha. Em breve teria de me aventurar e descobrir um lugar secreto para aperfeiçoar a transformação e avivar as minhas capacidades para a tarefa à minha frente. Talvez no dia seguinte, ou no dia a seguir.

- Fainne? Dei um pulo ao ouvir a voz de Johnny.

- Chegou a hora de partir? perguntei, levantando-me.

- Ainda não. Os rapazes hão-de querer primeiro uma caneca de cerveja. Está além um tipo que diz conhecer-te.

- Um tipo? Que tipo? Deve ser engano. Não conheço ninguém.

Johnny sorriu.
- Tenho um pressentimento de que conheces este. Ele foi muito persistente.

Senti um arrepio pela espinha abaixo. Segui o meu primo, sem uma palavra, até onde estava amarrado um par de velhos cavalos, junto a uma fila de carroças. E ali, afagando o focinho de uma feia égua baia, estava um sujeito escanzelado, de cabelos pretos até aos ombros, um assomo de barba e uma argola de ouro numa das orelhas.

- Olá, Caracóis disse Darragh.

Senti um baque no coração, que foi mais de horror do que de alegria. Se tivesse sido capaz, talvez tivesse dito a Johnny que o homem era um completo estranho para mim e ter-lhe-ia pedido que o mandasse embora. Mas nem sequer tinha voz; fiquei ali a olhar. E, subitamente, Johnny tinha desaparecido juntamente com o hesitante Corentin. Amaldiçoei o tato do meu primo.

- Estás com bom aspecto disse Darragh. Consegui, finalmente, falar.

- Que estás a fazer aqui? Não devias estar aqui! Onde está Aoife? Houve uma pausa.

- Vendi-a disse ele.

Não podia estar a ouvir bem. Vendera-a, a bela Aoife, que fazia tanto parte dele que até parecia meio-humana? Aoife, que lhe dava tanta sorte?

- Vendeste-a? repeti. Impossível. Darragh olhou para o chão.

- Um homem não rompe um contrato de trabalho e não percorre meio Erin sem ter com quê, Fainne. O acordo foi esse. O’Flaherty ficou com a égua. Ela há-de ser bem tratada.

- Mas, porquê?

Silêncio. Ele olhou para mim e depois para longe. Pensei ver nos seus olhos uma nova mágoa, como se duvidasse da sabedoria da sua escolha.

- Aqui não há nada para ti disse eu num sussurro feroz, furiosa com ele por ter vindo e comigo própria pelos sentimentos que se atropelavam dentro de mim, sentimentos que não tinham nada a ver com a filha de um feiticeiro quando esta tinha coisas mais importantes pela frente. Não devias ter vindo. É perigoso. Tens de ir para casa, Darragh. Imediatamente.

- Ah disse ele como que por acaso, mas eu podia ver a sua mão a tremer enquanto afagava o longo focinho do cavalo com dedos gentis. Creio que não vou fazer isso.

- Tens de fazer! disse eu com firmeza Não podes ficar aqui! Vais arruinar tudo! Tens de partir imediatamente! Não posso fazer nada contigo aqui...

- Fazer o quê, Caracóis?

- Fazer o que tenho de fazer. Por favor, Darragh, por favor, se gostas um pouco de mim, vai-te embora, depressa, antes... antes... Antes que a minha avó te veja. Mas não podia dizer aquilo.

- Sabes, não é assim tão simples.

- Por que não? Olhei para ele. Darragh olhou para cima, para além do meu ombro e, subitamente, lá estavam eles, quatro, Johnny e Gareth, Godric e Corentin, armados até aos dentes e com um aspecto feroz. Todos eles tinham a sua tatuagem especial no rosto; todos eles pareciam prontos a matar. Comparado com eles, Darragh era... uma espécie de cotovia no meio de aves de rapina. Exatamente no lugar errado. Certamente que até ele via isso.

- Amigo teu? perguntou Johnny, com um sorriso que não atingia os olhos.

- Conheço um pouco este jovem disse eu rigidamente. Há muito tempo.

- Como te chamas? O olhar de Johnny era extremamente perscrutador. Achei o seu comportamento um pouco estranho. Não falara ele já com Darragh?

- Darragh, filho de Dan Walker, de Kerry.

- E qual é a causa da tua viagem até estas bandas? Surpreende-me que venhas até tão longe.

Darragh olhou de relance para mim.

- Pode-se dizer que vim à procura de uma velha amiga. Ajudei um homem com um cavalo, no caminho; apanhei uma carona.

Johnny não fez qualquer comentário. Limitou-se a esperar. Por trás dele, Gareth mexeu-se pouco à-vontade e ouviu-se o tinir de metal.

- Ouvi dizer disse Darragh ouvi dizer que poderiam precisar de homens, por estas bandas. Uma campanha qualquer. Vim oferecer os meus serviços.

- O quê? exclamei eu, chocada, antes de me poder conter. Os companheiros de Johnny não fizeram qualquer tentativa para conter o divertimento.

- Estou a ver disse Johnny polidamente. E que sabes fazer, que ache que nos pode ser útil?

- Nada! disse eu rapidamente antes que Darragh pudesse abrir a boca para responder. A minha voz não tinha nada de firme. Nada! Este homem não sabe lutar, não sabe como usar uma arma, nunca matou ninguém na vida. Seria completamente inútil. Acredita no que te digo.

Johnny olhou para mim calmamente e depois para Darragh.

- Ouviste a dama disse ele. Nós, aqui, precisamos de guerreiros. Não creio que te possamos utilizar, a não ser que saibas fazer outra coisa qualquer.

- Sei tocar gaita-de-foles disse Darragh. E tenho jeito para cavalos. Os guerreiros precisam de cavalos.

- Desta vez não, disse Johnny. Esta campanha será por mar. Talvez encontres trabalho nos estábulos deste lado, se demonstrares capacidades.

- Não. A voz de Darragh era áspera. Olhei para ele, espantada. Não veria ele que era impossível? Como estava a ser tolo? Perdera o bom senso? - Isso não me serve. Quero ir para a ilha. Posso aprender a lutar. Serei bom aluno. Você parece-me boa pessoa. Dê-me uma oportunidade, ao menos.

Johnny olhou de alto a baixo para ele.

- Não me parece - disse ele.

É muito fino para ter o filho de um latoeiro no seu bando? Eu não tenho vergonha de ser filho de um nômade. E provarei o meu valor.

- Em Inis Eala disse Johnny, que agora olhava para Darragh intensamente estamos nos lixando para as origens dos nossos homens. O que eles têm para oferecer é que conta. De onde vens?
- De Oeste. De Ceann Na Mara.

- Estou a ver. És persistente. Mas, como a minha prima aqui acaba de dizer, tu não és um guerreiro; é um músico, se bem que desejável, não é uma das minhas prioridades. Tens a certeza de que não sabes fazer mais nada?

Não digas, Darragh, disse-lhe eu em pensamento.

- Sei nadar disse Darragh. Um pouco.

- Já ouvi dizer - disse Johnny suavemente. Bem, vou pensar. Talvez volte aqui antes do Verão. Se ainda estiveres por aqui, talvez voltemos a falar. E, girando nos calcanhares, encaminhou-se para o barco, onde Brenna estava a supervisionar o carregamento do seu precioso fardo. Segui o meu primo cegamente, fazendo um esforço para respirar calmamente e para não olhar para trás. Fora uma coisa cruel, talvez; mas fora a decisão certa. Darragh não podia ir conosco. Não podia.

Os homens tiveram que remar com força contra a maré, no regresso e progredimos com lentidão. A minha mente estava perturbada e o meu coração pesado. Era uma tolice, mas o que mais me perturbava era não me ter despedido do meu amigo. Pelo menos, podia ter-lhe dito uma palavra amável; um aperto de mão, ou um beijo no rosto. Teria preferido nunca mais o ver, a encontrá-lo assim e não me despedir.

Os homens remavam com força de costas para a ilha e iam a falar de coisas a que eu não estava a prestar muita atenção.

- Tipo teimoso observou Corentin.

- É preciso ser maluco para tentar semelhante coisa sorriu Godric. E contra a maré.

Johnny ia calado. Limitava-se a olhar para trás, para o local de onde saíramos, com o mesmo olhar calculista que eu vira no seu pai. Lembrei-me de ele dizer que era capaz de avaliar o caráter de um homem, ou de uma mulher. Olhei para ele e senti-me gelar de horror ao perceber o significado das suas palavras. Virei-me e olhei para trás.

Ali perto, entre o nosso pequeno barco e a costa, uma cabeça escura aparecia e desaparecia de vista nas águas agitadas. Ágil como uma sereia, aparecia para respirar e desaparecia depois nas águas turbulentas, para aparecer novamente após uma espera de fazer parar o coração.

- Lembro-me de tu dizeres que ele era um ótimo nadador observou Johnny. É o que vamos saber daqui a pouco.

Agarrei o braço de Brenna, aterrorizada. E as serpentes do mar? E o frio? E Coll não dissera que nunca ninguém o tinha feito?

- Johnny disse eu em voz baixa. É uma distância muito grande. Não vais...?

- Todos os homens devem passar por um teste. Mas, achas que deixaria o teu namorado morrer afogado? Além disso, precisamos dele. A meio caminho, talvez, ou um pouco depois. Ele já percorreu uma distância maior do que qualquer um de nós e continua com uma boa braçada. Recolhemos os remos além, perto daquelas rochas e deixamos que ele nos apanhe.

- O tipo não sabe pegar numa espada; não tem estômago para matar um homem resmungou Gareth. Sabe nadar, e depois?

- É uma responsabilidade queixou-se Corentin recolhendo o seu remo.

- Pode aprender. O tom de Johnny era sério. Foi o que ele disse, não foi? E nós temos os melhores professores, em Inis Eala.

Fiquei para morrer. A minúscula figura ficou cada vez mais pequena, as ondas cada vez maiores e o ar cada vez mais frio, à medida que nos afastávamos da costa. As cristas pareciam ter longos dedos na ponta; e as depressões monstros de grandes dentes, traiçoeiros. Não sabia se o meu rosto denunciava algo. Johnny olhou para mim e a sua boca torceu-se um pouco, mas havia preocupação nos seus olhos e também alguma surpresa.

Brenna segurou-me na mão e disse:

- Tudo bem, Fainne. Nós já estamos quase nas rochas. Eles esperam lá por ele. Gareth tinha o semblante carregado. Corentin tinha os lábios cerrados. Godric e Mikka tinham apostado se pescariam da água um latoeiro arrogante ou um cadáver. A cabeça doía-me, tal era a força com que cerrava os dentes. Agarrei firmemente a mão de Brenna e mantive os olhos naquele ponto escuro que aparecia e desaparecia. Talvez tivesse sido ela, pensei. Talvez a minha avó o tivesse feito vir ali e agora forçava-me a vê-lo afogar-se, mostrando-me, assim, o preço da desobediência. Ela queria mostrar-me quão louca eu era, se achava que era forte.

- O teu rapaz é muito corajoso, Fainne disse Brenna enquanto nos aproximávamos das rochas e Johnny ordenava aos rapazes que aguentassem o barco contra a maré.

- Eu acho é que é estúpido murmurei, mas ela tinha razão, claro. Ele aproximou-se firmemente, como se não soubesse o que era o medo, como se não conhecesse as limitações de um ser mortal. A despeito do terror e da fúria, eu estava tão orgulhosa dele que pensei que o meu coração se ia partir em dois. E não é o meu rapaz.

- Não? perguntou Johnny. Bem, uma coisa é certa. Não são as lições de esgrima que o fazem comportar-se assim.

Esperamos; os homens utilizaram a mesma técnica que tinham aperfeiçoado no promontório, contrabalançando com os remos o avanço da maré, o que mantinha o barco relativamente imóvel. Mantiveram-se ligeiramente afastados das rochas. A espera parecia interminável, mas a cabeça escura ficou cada vez menos parecida com uma criatura do mar e mais com a de um homem, o ritmo forte dos braços morenos e esbeltos podia ser visto no meio das ondas, assim como o rosto pálido e os olhos escuros, cheios de determinação. Por fim, ele atingiu o barco, foi içado e depositado, sem qualquer cerimônia, a meus pés, branco, tremendo e incapaz de dizer uma palavra. Os homens pegaram de novo nos remos e seguimos para casa.

Eu sentia as lágrimas, caindo, mas não as podia limpar. Lágrimas de alegria, lágrimas de dor, terríveis, lágrimas de medo e frustração. Tirei o meu xaile e coloquei-lhe sobre os ombros.

- Como te atreves a assustar-me assim? disse-lhe eu em voz baixa, furiosa. Devias ter vergonha!

Então, ele inclinou-se, apenas um pouco, encostou a cabeça ao meu joelho e eu ouvi-o murmurar por entre o bater dos dentes:

- N... n... não me obrigue a d... d... dizer adeus outra vez.


Olá pessoal,

Segue mais um vídeo do canal Nossos Romances do Youtube, apresentando desta vez as minhas poucas leituras do mês de junho, mais o que recebi dos parceiros e minhas compras...

Espero que gostem!

Não deixem de assinar o canal: https://www.youtube.com/nossosromances


21/06/2014

Charlotte Street

Postado por Jader Dalmas |

Tudo começa com uma garota...
(porque sim, sempre há uma garota...)

Jason Priestley acabou de vê-la. Eles partilharam de um momento incrível e rápido de profunda possibilidade, em algum lugar da Charlotte Street.

E então, em um piscar de olhos, ela partiu deixando-o, acidentalmente, segurando sua câmera descartável, com o filme de fotos completo...

E agora Jason — ex-professor, ex-namorado, escritor e herói relutante — se depara com um dilema. Deveria tentar seguir A Garota? E se ela for A garota? Mas aquilo significaria utilizar suas únicas pistas, que estão ainda intocáveis em seu poder...

É engraçado como as coisas algumas situações se desenrolam...

Charlotte Street é um livro de romance voltado mais para a parte cômica e engraçada da história do que amor, sendo basicamente voltada A Garota que gera um dilema na vida do protagonista logo no início da história. Este livro é bem interessante, mas gostei muito mais do aprendizado e evolução do protagonista ao longo do enredo.

Para quem gosta de livros mais engraçados que retratam problemas cotidianos de um ponto de vista pessimista para o protagonista, mas que parece cômico para o leitor, este é o livro ideal, pois com Join Me e Yes Man como livros escritos por este autor, este promete ser uma leitura divertida.

O que mais me chamou atenção no livro foi o aprendizado que A Garota gera na vida do protagonista, uma vez que o intitulavam como infantil e incentivavam ele a crescer, sendo assim ao longo do livro ele cresceu e sua maior autoajuda foi a fornecida por seus velhos e novos amigos. No final, ele nos ensina que o melhor da fotografia são os momentos guardados e não como estas ficam depois de tiradas.

Em suma, é um livro engraçado, mas que fala sobre a vontade de um homem que acabou de fazer besteira em um relacionamento em querer mudar, mas ainda não está pronto para admitir para o mundo seus erros. Assim que ele, impulsionado pelos amigos, resolve mudar e reconhecer seus erros, segue em frente para um segundo estágio de sua vida que inclui não apenas o final feliz de seus amigos como o seu.

20/06/2014

Querida Sue

Postado por Liliane Cristine |

Março, 1912: A jovem poeta Elspeth Dunn nunca viu o mundo além de sua casa, localizada na remota ilha de Skye, noroeste da Escócia. Por isso, não é de espantar a sua surpresa quando recebe uma carta de um estudante universitário chamado David Graham, que mora na distante América. O contato do fã dá início a um intercâmbio de cartas onde os dois revelam seus medos, segredos, esperanças e confidências, desencadeando uma amizade que rapidamente se transforma em amor. Porém, a Primeira Guerra Mundial força David a lutar pelo seu país, e Elspeth não pode fazer nada além de torcer pela sobrevivência de seu grande amor. Junho, 1940, começo da Segunda Guerra Mundial: Margaret, filha de Elspeth, está apaixonada por um piloto da Força Aérea Britânica. Sua mãe a alerta sobre os perigos de um amor em tempos de guerra, um conselho que Margaret não quer ouvir. No entanto, uma bomba atinge a casa de Elspeth e acerta em cheio a parede secreta onde estavam as cartas de amor de David. Com sua mãe desaparecida, Margaret tem como única pista do paradeiro de Elspeth uma carta que não foi destruída pelas bombas. Agora, a busca por sua mãe fará com que Margaret conheça segredos de família escondidos há décadas. Querida Sue é uma história envolvente contada em cartas. Com uma escrita sensível e cheia de detalhes de épocas que já se foram, Jessica Brockmole se revela uma nova e impressionante voz no mundo literário.

Querida Sue é um romance epistolar que nada mais é uma técnica literária que consiste em desenvolver a história através de cartas.

O romance começa em 1912 com David Graham, um estudante de dezoito anos de idade, de llinois, dos EUA, escrevendo para Elspeth Dunn, uma poetisa de vinte e quatro anos de idade que nunca tinha saído da Ilha de Skye, na Escócia. O primeiro contato é através de uma carta comum de um fã que acaba acumulando diversas trocas de cartas transformando em algo mais...

Além das trocas de cartas entre David Graham e Elspeth Dunn antes e durante a Primeira Guerra Mundial, há também as cartas escritas pela filha de Elspeth Dunn, chamada Margaret que passa por uma situação um tanto similar que a mãe passou. Num cenário bastante familiar, novamente em uma guerra, Margaret se corresponde com um jovem soldado durante a segunda guerra mundial.

Esse não é o meu primeiro romance epistolar e particularmente gosto muito de histórias narradas através de cartas. Além de admirar quem tem o dom de usar essa técnica, acho muito complicado usar apenas a correspondência entre os personagens para contar uma história. Acredito que quem desenvolve esse tipo de técnica literária precisa ser muito bom e a autora Jessica Brockmole não decepciona, ao contrário, surpreende contando através somente de cartas uma maravilhosa história de amor.

Fiquei impressionada com a forma e habilidade na construção de seus personagens e história. Fui levada para a Escócia e Londres, em meio a duas guerras sentindo através das palavras da autora tudo que se passava com seus personagens.

A história em si pode parecer básica e simples, mas o interessante foi à forma como foi organizada e desenvolvida que tornou pelo menos para mim uma leitura muito agradável.

E eu não pude deixar de pensar em como a vida principalmente de David e Elspeth poderia ter/teria sido diferente em nossa atualidade, vivendo em nosso mundo com computadores, internet, celulares, nas mais diversas sofisticadas formas de comunicação! Imagino quanto desgosto e problemas poderiam ter sido poupados...

Em suma, o livro a princípio pode até ser visto como um romance leve, mas ele tem uma história densa e muito significativa que explora a vida e os relacionamentos durante tempos de guerra. A facilidade com que Elspeth e David conversam através de suas cartas é envolvente e convincente, e o mistério do que aconteceu há muito tempo se revela lentamente, desvendado uma reviravolta do destino e do tempo muito bonita. Provando que o tempo e a distância para quem ama verdadeiramente não acaba, porque o tempo não apaga, o vento não leva e a distância não destrói.

Recomendo!

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